sábado, 8 de setembro de 2012

Oficina “Muitas Histórias... Curiosos Enredos”

Oficina “Muitas Histórias... Curiosos Enredos”
Gabriela Flores e Lindalva Souza
 Aconteceu em junho de 2012 - dentro do Fórum de Educação Integral de BH


 Estímulos com objetos e brincadeiras com gestos, sons e palavras evidenciam a expressão poética criativa individual e coletiva

 “Lili vive no mundo do faz de conta... Faz de conta que isto é um avião. Zzzzuuu... Depois aterrissou em pique e virou trem. Tuc tuc tuc tuc... Entrou pelo túnel, chispando. Mas debaixo da mesa havia bandidos. Pum! Pum! Pum! O trem descarrilou. E o mocinho? Onde é que está o mocinho? Meu Deus! Onde é que está o mocinho?! No auge da confusão levaram Lili para a cama, à força. E o trem ficou tristemente derrubado no chão. Fazendo de conta que era mesmo uma lata de sardinha”.
(Mentiras – Mário Quintana – Lili Inventa o mundo)

  
(...) “O olhar que se dirige apenas para a utilidade das coisas é característico da nossa civilização ocidental. Precisamos nos lembrar da percepção flexível que tínhamos quando crianças porque, como adultos, nos habituamos a nos valer apenas desse tipo de olhar funcional, como se fosse o único de que dispomos. Para a criança pequena o olhar flexível é também funcional. Faz parte de seu caminho de desenvolvimento experimentar vários pontos de vista, investigar possibilidades. Enquanto brinca, ela assume diferentes papéis, confere diversas funções aos objetos, pois está continuamente investigando sua relação com o mundo e consigo mesma, não se identifica apenas com uma possibilidade. A pergunta imaginativa que desafia o que é e indaga o que pode ser está na raiz de todo genuíno processo humano de conhecimento. “E se fosse possível que...?” é o motor da curiosidade que leva à construção das descobertas técnicas, científicas e artísticas nas diferentes culturas ao longo da história. O lugar de onde a criança olha para as formas é o lugar da flexibilidade imaginativa. Trata-se de uma posição que permite a experiência viva da conversa imaginativa porque não está presa a nenhuma visão preconcebida, fixa, na qual o que estou vendo apenas confirma o que já sei a respeito de um determinado objeto. Ao contrário, a posição de flexibilidade imaginativa é antes uma disposição interna para encontrar algo que poderá ser, o resultado de uma conversa que revelará qualidades presentes na interação dos elementos presentes naquele instante. Tais elementos são dados pelo objeto, pela minha pessoa e pela trama do jogo proposto nessa interação. (...) Que objetos e formas da natureza tem qualidades, como tamanho, dimensões, cores, direção de suas linhas estruturais no espaço, peso, textura, cheiro, movimento, densidade, equilíbrio; e expressam qualidades de outra ordem, como mistério, humor, respiração ou pulsação, rispidez, calma, delicadeza, nervosismo, altivez, descontração, desleixo, nobreza. São qualidades que a eles atribuímos a partir de suas características estruturais, que revestimos com nossas ressonâncias pessoais. Um colar pode ser divertido, uma caixinha pode ser misteriosa, um par de sapatos pode ser desleixado, um copo pode ser engraçado, uma cadeira pode ser altiva.” (...) (Pg. 88 e 91 – “Acordais” – fundamentos teórico-poéticos da arte de contar histórias – Regina Machado, Difusão Cultural do Livro).

Maratona – explorando os objetos

Os educadores são divididos em dois grupos, grupo 1 e grupo 2. Enquanto um grupo está em ação o outro está congelado observando e depois troca. Vários objetos estarão espalhados pelo espaço.

exploração individual do objeto (observar a forma, cor, textura; explorar o objeto no espaço em diferentes planos – alto, médio, baixo; diferentes velocidades; diferentes dinâmicas – movimentos circulares, retos, cortantes; explorar outras utilidades para este objeto, o que ele pode ser?)
* Para o grupo que está congelado, brincar também com diferentes maneiras de ficar parado, no canto da sala, agachado, espalhados pelo espaço, etc.
* Escolha, de tudo que você fez, um gesto, movimento ou som, que mais gostou! E pode roubar do outro também, se você gostou de algo que o colega fez! Guarde na memória!

exploração com estímulo dos instrumentos (os participantes que estão com objetos/instrumento musical dão o estímulo e o grupo fará movimentos a partir deste som – o que este som me estimula a fazer com meu objeto?
* Para o grupo que está congelado, brincar também com diferentes maneiras de ficar parado, no canto da sala, agachado, espalhados pelo espaço, etc.
* Escolha, de tudo que você fez, um gesto, movimento ou som, que mais gostou! E pode roubar do outro também, se você gostou de algo que o colega fez! Guarde na memória!

exploração brincar de ser o objeto individual e depois com interação (“Se eu fosse esse objeto?...” Como me movimento? Qual som que tenho? Como ando? Como me relaciono com os outros personagens/objetos?
* Para o grupo que está congelado, brincar também com diferentes maneiras de ficar parado, no canto da sala, agachado, espalhados pelo espaço, etc.


* Escolha, de tudo que você fez, um gesto, movimento ou som, que mais gostou! E pode roubar do outro também, se você gostou de algo que o colega fez! Guarde na memória!

Composição em grupo
Os educadores são divididos em quatro grupos, cada integrante apresenta o movimento que mais gostou e juntos farão uma composição juntando os movimentos escolhidos. Cada grupo escolhe também onde deseja fazer a apresentação e como ficam os espectadores.

Maratona de apresentação
Cada um dos quatro grupos compartilha sua composição.

Roda da Partilha
Em roda uma apreciação do encontro tendo como foco como foi a experiência da exploração dos objetos, a utilização do espaço, o corpo e a presença.






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