Registro e Memória da Formação para Educadores da Escola Integrada março a novembro de 2012 em parceria com CENPEC, Itaú Social e Secretaria Municipal de Educação de BH
sábado, 28 de abril de 2012
2º encontro - 20 de abril
Objetivos Gerais:
1) a questão do olhar poético, na medida em que a escola integrada convoca a uma mudança de paradigma, uma mudança de perspectiva, sugerindo múltiplos olhares e a arte convoca o ser humano a encantar-se e entusiasmar-se continuamente com o mundo que o rodeia;
2) a questão da alteridade, o outro, nessa perspectiva o educador será estimulado a abrir seus poros, trabalhar junto com e não mais sozinho;
3) a questão da palavra como brinquedo, cerne desta formação, no sentido de que tudo converge para este ponto: relacionar teatro e literatura e fazer da leitura e da escrita uma experiência prazerosa, lúdica, criativa e divertida; e por fim
4) a questão da conversação, ouvir, escutar, falar, se colocar e se ver, se avaliar, refletir sobre o trabalho.
A preparação do roteiro do dia e organização do espaço de trabalho
É necessário que se pense no roteiro do encontro com antecedência e a preparação deste roteiro deve mobilizar o educador a pesquisar. Ele precisa ter uma questão, uma indagação, uma inquietação que o impulsione a então buscar seu caminho, o campo no qual vai pesquisar. O espaço de trabalho deve estar organizado e preparado antecipadamente de modo que o educador receba os alunos de maneira acolhedora e afetiva; é necessário que este espaço seja agradável, com estímulos para as crianças, e que contenha elementos que o diferenciem de uma sala de aula convencional, seja na utilização de materiais diversos, seja simplesmente na alteração da ordem das cadeiras. A modificação constante do espaço, mesmo que mínima, trará sempre uma surpresa e cria uma ambiência poética e inventiva, além de lúdica. Para este segundo encontro não utilizarei o chão, como fiz no encontro passado, pois alguns educadores se sentiram incomodados; então em respeito a eles vou intercalar, hora faremos trabalhos no chão e hora faremos trabalhos usando as cadeiras. Os estímulos continuam, textos, palavras e imagens espalhados pelas paredes da sala, e somado a isso as materialidades que eles criaram no encontro anterior, no procedimento “escrita automática”. O roteiro a seguir é um mapa que pode ser alterado de acordo com o instante, há uma variedade de exercícios e jogos e talvez eles não aconteçam exatamente nesta sequência, é só um guia, pois o interesse, energia e entusiasmo (ou sua ausência) podem fazer com que um jogo fique de lado e seja substituído por outro. O procedimento de hora fazer a atividade com todos juntos e hora dividi-los em dois grupos possibilita serem expectadores; ao assistirem o colega jogando estão processando aprendizados também, além de melhor organizar a utilização do espaço para o jogo.
PARTE 1. Abrindo o Olhar
Percepção de como e onde estou
Preparação do corpo mente para o trabalho. Entrar no espaço de criação, espaço poético. Sair do ordinário e adentrar o extraordinário.
Sentindo o Eu como Eu – percepção interna (todos juntos)
Os jogadores permanecem sentados em suas cadeiras e fisicamente sentem aquilo que está em contato com seus corpos, conforme a instrução. De olhos abertos sinta os pés nas meias! Sinta a meia nos pés! Sinta os sapatos nos pés! Sinta as meias nas pernas! Sinta a calça ou saia nas pernas! Sinta a roupa de baixo perto do seu corpo! Sinta o corpo perto da roupa de baixo! Sinta a blusa ou camisa com seu peito e sinta o seu peito dentro da blusa ou camisa! Sinta o anel no dedo! Sinta o dedo no anel! Sinta o cabelo na cabeça e as sobrancelhas na testa! Sinta a língua na boca! Sinta as orelhas! Vá para dentro e tente sentir o que está dentro da cabeça com a cabeça! Sinta o espaço a sua volta! Agora deixe que o espaço sinta você! Houve diferença entre sentir o anel no dedo e sentir o dedo no anel?
Extensão da Visão – percepção externa (todos juntos)
Envie sua visão para o ambiente! Sua visão é uma extensão física de você mesmo! Deixe que sua visão seja ativa! Envie sua visão para o meio da sala! À sua volta! Permita que um objeto entre em sue campo de visão e seja visto! Tome seu tempo para ver este objeto! Quando vir um objeto, deixe que este objeto veja você! Mude de objetos! Leve seus olhos para a esquerda o mais longe que puder! Mais longe! Agora para a direita! Não gire sua cabeça, gire apenas os olhos! Procure ver atrás de si! Agora olhe diretamente para frente, mas veja a esquerda! Direita! Agora olhe para cima, tão longe quanto puder! Para baixo! Qual a diferença entre ver um objeto e deixar que o objeto seja visto? Você pode responder isto?
Integração do grupo, criar um grupo coeso, participativo, cúmplice e generoso.
Cante seu Nome – inventividade, humor, ritmo e criatividade (todos juntos)
Numa roda cada um fala seu nome de modo a fazer uma música com ele, todos repetem a música do nome. Todos experimentam! Excelente para memorizar o nome de cada um, além de estimular a musicalidade e ritmo em grupo!
PARTE 2. Jogo Tradicional e Jogo Teatral
Ludicidade, Coletividade e Expressividade
Os jogos tradicionais promovem um aquecimento e integração do grupo e ajudam a focalizar a energia para a experiência de aprendizagem.
Ciranda Olaria do Povo – movimento, memória, criatividade e transformação
A --- (nome de alguém) vai ter que entrar, na olaria do povo (repete)
Ela desce como um vaso velho e quebrado e sobe como um vaso novo (repete)
http://www.territorioescola.org.br/wp-content/uploads/2010/08/BRINCADEIRA1.pdf
http://www.territorioescola.org.br/wp-content/uploads/2010/08/BRINCADEIRA1.pdf
Senhora dona Sancha (cabra-cega) – desdobramento de exercícios que repetirei com olhos vendados
Senhora dona Sancha
Coberta de ouro e prata
Descubra seu rosto
Nós queremos ver sua cara
Que anjos são esses
Que vivem me rodeando
De noite e de dia
Padre Nosso Ave Maria
Somos filhos de um Conde
Bisnetos de Visconde
Seu Rei mandou dizer
Para todos se esconder
Os jogos teatrais desenvolvem a habilidade em comunicar-se. São fontes de energia que ajudam a aprimorar as habilidades de concentração, resolução de problemas e interação em grupo. O jogo teatral passa necessariamente pelo estabelecimento do acordo de grupo, por meio de regras livremente consentidas entre os parceiros; a aprendizagem se dá por meio da experiência.
Quem iniciou o movimento? – observação, concentração e memória (dois grupos)
Numa roda, um jogador sai da sala, enquanto os outros escolhem alguém para ser o líder, que iniciará os movimentos. O jogador que saiu é chamado de volta, vai para o centro do círculo e tenta descobrir o iniciador dos movimentos.
Três mudanças – observação, concentração e memória (em duplas)
Em duplas os parceiros se observam cuidadosamente, então se viram de costas um para o outro e fazem três mudanças. Quando estiverem prontos, os parceiros voltam a se olhar e cada um tenta identificar as mudanças. Trocam as duplas, e podemos aumentar o número de mudanças, quatro, cinco!
Espelho – consciência corporal, imitação , refletir (em duplas)
Um jogador A inicia o movimento, e o jogador B reflete todos os movimentos feitos por A. Depois inverte. Faça movimentos grandes, com o corpo todo! Espelhe só o que você vê! Mantenha o espelho entre vocês! Cuidado com as suposições e antecipações, observe o espelho verdadeiro. As mudanças devem ser feitas sem interromper a fluência dos movimentos entre os jogadores!
Quem é o espelho? – consciência corporal, imitação , refletir (uma dupla e um grupo como platéia)
Os jogadores decidem na dupla quem será o gerador dos movimentos! Ele inicia o movimento, o outro reflete e ambos tentam ocultar quem é o espelho! Os jogadores que estão na platéia tentam descobrir quem é o espelho. Qual dos jogadores é o espelho?
PARTE 3. Caderno de Grudados
O registro como memória da experiência e instrumento para a metacognição
Vários materiais estarão à disposição: papéis, canetinhas, cola, tesoura, lápis de cor, fitas coloridas, textos, imagens e etc., além de um caderno para cada um. A idéia é que este caderno acompanhe o educador durante a formação. Seja um instrumento de registro da experiência, instrumento para levantamento de questões, dúvidas, medos e conquistas. Além de poder registrar ali o que achar mais importante e relevante, será, também, uma importante conexão entre o trabalho feito na formação e o seu dia a dia nos territórios onde atuam. Serão realizados diferentes procedimentos onde eles terão que utilizar o caderno como meio de comunicação de um espaço para o outro, além de algumas tarefas que serão dadas para fazerem de um encontro para o outro.
PARTE 4 – Circuito Fechado
Leitura e criação de narrativa a partir da Crônica de Ricardo Ramos
a) Leitura silenciosa individual.
b) Divisão em grupos e leitura coletiva nos grupos.
c) Conversa livre sobre a crônica e relação com o cotidiano – o ordinário.
d) Numa folha sulfite, dividida ao meio, do lado esquerdo, num tempo limitado (3’), escrever todas as palavras que lhe vem à cabeça, relacionadas ao seu cotidiano. Depois, do lado direito da folha, procurar organizar as palavras numa narrativa.
e) Apresentação da proposta para ser realizada para no próximo encontro: observar uma criança ou jovem com quem você convive. Fazer uma lista de palavras relacionadas ao cotidiano desta criança ou jovem e elaborar uma narrativa, como foi feito acima.
Links para interagir:
Bibliografia:
VÁRIOS Autores. Tendências para a educação Integral. São Paulo: Fundação Itaú Social, CENPEC, 2011.
MORIN, Edgar. Os sete saberes necessários à educação do futuro. São Paulo: Cortez, 2000
MACHADO, Regina. Acordais – Fundamentos Teórico Poético da arte de contar histórias. São Paulo: DCL, 2004.
RODARI, Gianni. Gramática da Fantasia. São Paulo: Summus, 1982.
SPOLIN, Viola. Jogos Teatrais na sala de aula – O livro de professor. São Paulo: Perspectiva, 2007.
PESSOA, Fernando. Obra poética. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1998.
ROSA, Guimarães. Ficção Completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1994.
Bosi (org.), Alfredo. O Conto Brasileiro Contemporâneo. São Paulo: Cultrix, 1989.
Textos:
“O Luna Parque dos passarinhos” – Helena Martinho.
“Reflexões sobre educação integral e escola em tempo integral – Antonio Sérgio Gonçalves. Cadernos Cenpec, 2006
“Caminhos para elaborar uma proposta de Educação Integral em Jornada Ampliada”. Organização Jaqueline Moll. Série Mais Educação: SEB/MEC, 2011.
“Como desenvolver as competências em sala de aula” – Celso Antunes. Capítulos 3 e 6.
“Tempos e Espaços da Educação Integral”
Jaqueline Moll. Pátio – Revista Pedagógica nº 51 Artmed
Referências de livros infanto-juvenis:
LEE, Susy. Espelho. São Paulo: Cosac Naif, 2010.
LEE, Susy. Onda. São Paulo: Cosac Naif, 2009.
BANYAI, Istvan .O outro lado. São Paulo: Cosac Naif, 2007.
BANYAI, Istvan .Zoom. São Paulo: Brinque Book, 1995.
VÁRIOS, Autores. Traço de Poeta. São Paulo: Global, 2006.
1º encontro - 23 de março
Procedimento 1 - Labirinto
"Saber orientar-se numa cidade não significa muito.
No entanto, perder-se numa cidade, como alguém se perde numa floresta, requer aprendizagem". (WALTER BENJAMIN, Infância em Berlim)
Fechar os Olhos
Abrir o Olhar
Todos vendados e de mãos dadas. Alguém, que não está vendado conduz a fila. O guia conduz o grupo num percurso labiríntico.
"Saber orientar-se numa cidade não significa muito.
No entanto, perder-se numa cidade, como alguém se perde numa floresta, requer aprendizagem". (WALTER BENJAMIN, Infância em Berlim)
Fechar os Olhos
Abrir o Olhar
Todos vendados e de mãos dadas. Alguém, que não está vendado conduz a fila. O guia conduz o grupo num percurso labiríntico.
Ver é muito complicado. Isso é estranho porque os olhos, de todos os órgãos dos sentidos, são os de mais fácil compreensão científica. A sua física é idêntica à física óptica de uma máquina fotográfica: o objeto do lado de fora aparece refletido do lado de dentro. Mas existe algo na visão que não pertence à física.
William Blake sabia disso e afirmou: "A árvore que o sábio vê não é a mesma árvore que o tolo vê".
William Blake sabia disso e afirmou: "A árvore que o sábio vê não é a mesma árvore que o tolo vê".
De quem é o olhar Que espreita por meus olhos? Quando penso que vejo, Quem continua vendo, Enquanto estou pensando? Fechar os olhos! Abrir o olhar! Ganhar olhos de poeta! Adélia Prado disse: "Deus de vez em quando me tira a poesia. Olho para uma pedra e vejo uma pedra". Drummond viu uma pedra e não viu uma pedra. A pedra que ele viu virou poema.
Palavras-Chave: Confiança – União – Risco
Imagem: Labirinto, de Escher
Imagem: Labirinto, de Escher
Procedimento 2 – Cumprimentos
Caminhando pelo espaço entre as cadeiras a condução vai sugerindo modos diferentes de cumprimento: ‘bom dia’, ‘nome’, ‘nome do outro’, ‘aperto de mão’, ‘abraço’, ‘batendo as mãos com pulo’, ‘3 beijinhos’, ‘tapa no bumbum’. São muitas as possibilidades de variações deste exercício simples de caminhar pelo espaço. As variações podem ser na velocidade da caminhada, e nas distâncias entre as pessoas, e nos modos de caminhar, lento/rápido, longe/perto, de frente/de costas, etc.
A educação no Brasil precisa, além de reconhecer as diferenças, corrigir desigualdades e promover ambientes de trocas. Somos, então, convocados a construir a multivisão, como no movimento cubista da arte moderna, renunciando à idéia de um único ponto de vista. Para pensarmos sobre nós mesmos não precisamos desprezar posições alheias: eu também me reconheço, então, como um diferente entre diferentes. Freqüentemente nós professores reconhecemos que nossos alunos são diferentes de nós, mas nem sempre estabelecemos condições de trocas com os saberes que eles detêm. O que sabemos de nossos alunos? Quem são? Que experiência possuem? Estamos abertos para experiências diferentes das nossas?
Palavras-Chave: Prontidão – Presença – Energia
Procedimento 3 - Dança com Bexigas
A – Em duplas, cada um tem entre si uma bexiga. Eles vão se movimentar sem deixar a bexiga cair e experimentando passar a bexigas em todas as partes do corpo, se deixando levar por uma dança.
Palavras-Chave: Prontidão – Presença – Energia
Procedimento 3 - Dança com BexigasA – Em duplas, cada um tem entre si uma bexiga. Eles vão se movimentar sem deixar a bexiga cair e experimentando passar a bexigas em todas as partes do corpo, se deixando levar por uma dança.
B – Agora deixam as bexigas e devem se movimentar mantendo uma distância entre os dois, como se tivesse um fio invisível que os mantêm conectados.
Palavras-Chave: Cumplicidade – Flexibilidade – Imaginação
Procedimento 4 – Escrita automática
Os educadores tem cinco minutos para colocar no papel todas as sensações, imagens, em palavras que lhe vierem à mente sobre este primeiro momento da formação, procurando repassar em sua memória o percurso realizado.
Palavras-Chave: Apreensão, Intuição, Memória
Imagem: Escuta o canto profano, de Ana Hatherly
Procedimento 5 - Roda de Conversa
Uma conversa livre sobre a primeira parte do encontro, sensações, dificuldades, indagações, relações...
Dispositivos para a conversa: O que muda ao estar vendado?, Na relação com o outro?, Na relação com o espaço? A distinção dos espaços. O espaço para criar, para devanear, para sonhar. É essencial que haja intervenção no espaço, que tenha a capacidade de ser transformado tanto por professores como pelas crianças e jovens. Quando instauramos um espaço poético são criados novos acordos, novas regras, é um novo universo que nasce! O labirinto, que as crianças gostam tanto, sugere um desafio, uma aventura a ser percorrida, com mistérios, perigos e enigmas.
Palavras-Chave: Escuta, Comunicação, Apreensão
Dispositivos para a conversa: O que muda ao estar vendado?, Na relação com o outro?, Na relação com o espaço? A distinção dos espaços. O espaço para criar, para devanear, para sonhar. É essencial que haja intervenção no espaço, que tenha a capacidade de ser transformado tanto por professores como pelas crianças e jovens. Quando instauramos um espaço poético são criados novos acordos, novas regras, é um novo universo que nasce! O labirinto, que as crianças gostam tanto, sugere um desafio, uma aventura a ser percorrida, com mistérios, perigos e enigmas.
Palavras-Chave: Escuta, Comunicação, Apreensão
Procedimento 6 – Leitura em Voz Alta
Os educadores são convidados a um momento de leitura. Eles são estimulados a várias maneiras de leitura; leitura em silêncio, leitura em sussurro, leitura em reza, leitura em voz alta, leitura como quem come algo ruim, leitura como quem está com medo, leitura como quem vende uma idéia, leitura como quem come algo muito gostoso...etc. Eles deverão passar por vários textos que estão à disposição no centro de cada nicho; ou ainda, palavra que fura, palavra que corta, palavra que soca, palavra no altar, palavra abraço...etc. Num primeiro momento todos juntos criando uma massa sonora disforme que toma toda a sala, depois aos poucos dividindo os grupos de participantes para que possamos ouvi-los individualmente.
Palavras-Chave: Leitura, Criatividade, Expressividade
Procedimento 7 – Leitura em cochicho
Dois grandes grupos. Um grupo é convidado a se sentar e a se vendar, espalhados pelo espaço. O grupo que ficou sem venda escolhe, cada um, um dos textos disponíveis e inicia a pesquisa das palavras brinquedos, andando pelo espaço e brincando com modos diferentes de falar aquele texto, acrescentando um sussurro ao pé do ouvido dos colegas que estão vendados. Depois troca os grupos.
Palavras-Chave: Criatividade, Expressividade, Sensibilidade
Procedimento 8 – Roda de Conversa - introdução ao tema “Escola Integrada”
A – Partilha: Em roda, com uma colher de pau, que simboliza o pau sagrado, cada um vai ter o direito de falar. Só fala quem está com o pau, e quando alguém se identifica com o que foi falado pode dizer: Ho! Cada um pode dizer o que foi mais importante, ou o que foi mais difícil, ou o que não entendeu, ou o que foi uma delícia... É aberto!
B – Ainda em roda iniciar uma conversa sobre as experiências do dia.
C – Leitura de um trecho do texto “Reflexões sobre educação integral e escola em tempo integral – Antonio Sérgio Gonçalves.
Palavras-Chave: Indagação, Elaboração, Sistematização
“Reflexões sobre educação integral e escola em tempo integral – Antonio Sérgio Gonçalves.
Estado de aventura, de abertura ao inesperado, ao criativo, ao que não está pronto e formatado, ao que ainda não se sabe, ao que está por vir e não se fixa.
Devolver-nos a verdadeira infância e reconhecer às crianças o direito de serem as primeiras autoras de suas vidas.
Alimentar o pensamento, suscitar dúvidas, novas idéias, novas questões.
As idéias voam, saltam, acumulam-se, erguem-se, caem, espalham-se, até que uma delas alcança uma adesão decisiva e conquista todo o grupo e os educadores.
As crianças ganham experiência em discutir, negociar e organizar idéias e tornam-se capazes de projetá-las sem recear cometer erros e consolidando a capacidade de corrigir e modificar percursos.
As crianças são encorajadas a expor as suas teorias através de várias linguagens expressivas.
O conceito mais tradicional encontrado para a definição de educação integral é aquele que considera o sujeito em sua condição multidimensional, não apenas na sua dimensão cognitiva, como também na compreensão de um sujeito que é sujeito corpóreo, tem afetos e está inserido num contexto de relações. Isso vale dizer que a compreensão de um sujeito deve ser considerada em sua dimensão biopsicossocial.
Acrescentamos, ainda, que o sujeito multidimensional é um sujeito desejante, o que significa considerar que, além da satisfação de suas necessidades básicas, ele tem demandas simbólicas, busca satisfação nas suas diversas formulações de realização, tanto nas atividades de criação quanto na obtenção de prazer nas mais variadas formas.
A aprendizagem acontece desde o nascimento e continua ao longo de toda a vida. Ocorre em diferentes contextos: na família inicial, com os pais; com os pares, na nova família, na escola; em espaços formais e informais. Nesse sentido, a educação escolar precisa ser repensada, de modo a considerar as crianças e os adolescentes sujeitos inteiros, levando em conta todas as suas vivências, aprendizagens.
Por exemplo, propostas que concebem o trabalho a partir dos interesses das crianças e jovens tem-se mostrado muito mais eficazes do que aquelas que não o fazem.
Isso não significa trabalhar apenas com o que elas querem aprender, e sim que aquilo que é proposto como conteúdo escolar, curricular, só poderá ser significativo se dialogar com os interesses do grupo, seus conhecimentos prévios, seus valores e seu cotidiano. Nesse sentido, somente o que se coloca como desafio, como inquietação para educadores e educandos, pode se transformar numa relação profícua de ensino aprendizagem.
O aprender pressupõe a superação de enigmas, algo que desafia o já sabido e que instiga o desejo de superar. Agora, só é possível tal ampliação e apropriação de conhecimento se for estabelecida uma relação entre o particular e o geral, entre o local e o global, entre o que o define como sujeito e o mundo que o rodeia.
sexta-feira, 27 de abril de 2012
Introdução
Como dizia Platão, um minuto antes do nascimento sabemos tudo de tudo e um minuto depois já não sabemos de mais nada, tudo foi esquecido. A Arte nos revela muito desse desconhecido, esse mistério tão maravilhoso e intrigante que é a vida. A criança, em seu universo lúdico, é a primeira a investigar, intuitivamente, o mundo que a cerca. Este lhe causa espanto, encantamento. Mas conforme ‘evoluímos’, este encantamento em relação aos fenômenos do mundo vai se esvaindo pouco a pouco. A vida não nos surpreende mais, adquirimos consciência das coisas, somos donos dos nossos atos e já estamos correndo em direção à realização de um interminável fluxo de desejos. Ser humano é desejar! A vida de encantada, mágica, passa a ser previsível, tediosa. É preciso voltar a encantar-se, a espantar-se como a criança; a manter um olhar curioso sobre a natureza, o homem e tudo que o rodeia.
Com ênfase na capacidade inventiva e criativa de todo ser humano este laboratório cênico pretende resgatar o lúdico, a imaginação, a poética de cada um. Através de jogos de atenção, ritmo, presença e improviso, este laboratório vai estimular a prática teatral coletiva e a criação de narrativas, relacionando teatro e literatura. Além disso pretende-se instrumentalizar o educador num amplo repertório para embasá-lo na sistematização de sua oficina.
Imagem: Dança de Matisse
Espaço de pesquisa e criação, espaços de aprendizado baseado nas trocas e na capacidade de nos relacionarmos. O educador será estimulado a atuar a partir de uma pedagogia das trocas e se transformar num pesquisador das experiências da cultura no mundo em que age, nessa perspectiva o educador será estimulado a abrir seus poros, trabalhar junto com e não mais sozinho.
Imagem: Dança de Matisse
Espaço de pesquisa e criação, espaços de aprendizado baseado nas trocas e na capacidade de nos relacionarmos. O educador será estimulado a atuar a partir de uma pedagogia das trocas e se transformar num pesquisador das experiências da cultura no mundo em que age, nessa perspectiva o educador será estimulado a abrir seus poros, trabalhar junto com e não mais sozinho.
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