Sinopse:
Com ênfase na capacidade inventiva e criativa de todo ser humano este laboratório cênico pretende resgatar o lúdico, a imaginação, a poética de cada um. A idéia do laboratório tem o objetivo de criar, ao longo dos encontros, um espaço de investigação múltipla que instigue os participantes, que incite a curiosidade e convoque o pensar, o criar, e o trabalhar coletivamente. Através de jogos de atenção, ritmo, presença e improviso, este laboratório vai estimular a prática teatral coletiva e a criação de narrativas, relacionando teatro e literatura. Além disso pretende-se instrumentalizar o educador num amplo repertório para embasá-lo na sistematização de sua oficina.
Objetivos Gerais:
1) a questão do olhar poético, na medida em que a escola integrada convoca a uma mudança de paradigma, uma mudança de perspectiva, sugerindo múltiplos olhares e a arte convoca o ser humano a encantar-se e entusiasmar-se continuamente com o mundo que o rodeia;
2) a questão da alteridade, o outro, nessa perspectiva o educador será estimulado a abrir seus poros, trabalhar junto com e não mais sozinho;
3) a questão da palavra como brinquedo, cerne desta formação, no sentido de que tudo converge para este ponto: relacionar teatro e literatura e fazer da leitura e da escrita uma experiência prazerosa, lúdica, criativa e divertida; e por fim
4) a questão da conversação, ouvir, escutar, falar, se colocar e se ver, se avaliar, refletir sobre o trabalho.
Introdução: A preparação do roteiro do dia e organização do espaço de trabalho
É necessário que se pense no roteiro do encontro com antecedência e a preparação deste roteiro deve mobilizar o educador a pesquisar. Ele precisa ter uma questão, uma indagação, uma inquietação que o impulsione a então buscar seu caminho, o campo no qual vai pesquisar. O espaço de trabalho deve estar organizado e preparado antecipadamente de modo que o educador receba os alunos de maneira acolhedora e afetiva; é necessário que este espaço seja agradável, com estímulos para as crianças, e que contenha elementos que o diferenciem de uma sala de aula convencional, seja na utilização de materiais diversos, seja simplesmente na alteração da ordem das cadeiras. A modificação constante do espaço, mesmo que mínima, trará sempre uma surpresa e cria uma ambiência poética e inventiva, além de lúdica. Os estímulos continuam, textos, palavras e imagens espalhados pelas paredes da sala.
PARTE 1. Abrindo o Olhar
Percepção de como e onde estou
Preparação do corpo mente para o trabalho. Entrar no espaço de criação, espaço poético. Sair do ordinário e adentrar o extraordinário
Mandalas
PARTE 2. Jogo Tradicional e Jogo Teatral
Ludicidade, Coletividade e Expressividade
Os jogos tradicionais promovem um aquecimento e principalmente ajudam na integração do grupo. Criar um grupo coeso, participativo, cúmplice e generoso é fundamental para focalizar a energia para a experiência de aprendizagem.
Senhora dona Sancha (cabra-cega) – desdobramento de exercícios que repetirei com olhos vendados
Senhora dona Sancha
Coberta de ouro e prata
Descubra seu rosto
Nós queremos ver sua cara
Que anjos são esses
Que vivem me rodeando
De noite e de dia
Padre Nosso Ave Maria
Somos filhos de um Conde
Bisnetos de Visconde
Seu Rei mandou dizer
Para todos se esconder
Os jogos teatrais desenvolvem a habilidade em comunicar-se. São fontes de energia que ajudam a aprimorar as habilidades de concentração, resolução de problemas e interação em grupo. O jogo teatral passa necessariamente pelo estabelecimento do acordo de grupo, por meio de regras livremente consentidas entre os parceiros; a aprendizagem se dá por meio da experiência.
Contação do conto “O Espelho” Machado de Assis
Apresentação de elementos fundamentais para um contador de histórias, baseado no livro “Acordais” de Regina Machado.
Cochicho: Dividi-los em 2 grandes grupos. Um grupo é convidado a se sentar e a se vendar, espalhados pelo espaço. O grupo que ficou sem venda escolhe, cada um, um dos textos disponíveis e inicia a pesquisa das palavras brinquedos, andando pelo espaço e brincando com modos diferentes de falar aquele texto, acrescentando um sussurro ao pé do ouvido dos colegas que estão vendados.
Depois troca os grupos.
Palavras-Chave: Criatividade, Expressividade, Sensibilidade
Depois troca os grupos.
Palavras-Chave: Criatividade, Expressividade, Sensibilidade
Pic Nic da Leitura: “E se as histórias para crianças passassem a ser de leitura obrigatória para os adultos? Seriam eles capazes de aprender realmente o que há tanto tempo têm andado a ensinar?”
Várias maneiras de leitura; leitura em silêncio, leitura em sussurro, leitura em reza, leitura em voz alta, leitura como quem come algo ruim, leitura como quem está com medo, leitura como quem vende uma idéia, leitura como quem come algo muito gostoso...etc. Eles deverão passar por vários livros infanto-juvenis que estarão à disposição; ou ainda, palavra que fura, palavra que corta, palavra que soca, palavra no altar, palavra abraço...etc. Num primeiro momento todos juntos criando uma massa sonora disforme que toma toda a sala, depois aos poucos dividindo os grupos de participantes para que possamos ouvi-los individualmente. (obs.: se for possível faremos esta atividade fora da sala de aula).
Palavras-Chave: Leitura, Criatividade, Expressividade
PARTE 3. Escrita Criativa e Livro Instantâneo
a) a partir do conceito descrito por Gianni Rodari em “Gramática da Fantasia”, o binômio fantástico, os educadores serão estimulados para a criação de narrativas. Serão apresentados diversos dispositivos para inventar uma história: “um dia na vida de um educador”, escrita automática, disparate, caligrama*, com imagens, com sons. b) elaboração de um pequeno livro contendo a história que cada um criou. c) leitura mediada do livro e levantamento de objetos - apresentação do conceito de eficiência poética descrito por Regina Machado em “Acordais”. O caligrama é um texto (mas freqüentemente poético) cujas palavras estão dispostas de modo a representar “um desenho”: objetos, animais, personagens ou pequenas cenas que formam “o tema do texto”
PARTE 4 – Roda de Conversa
Retorno das avaliações, apresentação do Blog e conversa a partir do tema: Aprender a Aprender! Como posso me preparar, ou seja, o que posso aprender, para que eu mesmo encontre respostas para minhas perguntas?
Bibliografia: “Gramática da Fantasia” de Gianni Rodari e “Acordais” de Regina Machado.